
Senhor Presidente da Assembleia Legislativa,
Senhores Deputados,
Senhor Presidente,
Agradeço muito sensibilizado mais esta prova de amizade e consideração convidando-me, a mim e à minha mulher para este almoço de despedida.
Agradeço-lhe igualmente ter associado nesta ocasião os representantes dos partidos com assento na Assembleia Legislativa. É para mim uma ocasião muito importante e um gesto muito significativo.
Permita-me, Senhor Presidente, que saliente que estes 15 anos em que desempenhei as funções de Representante da República constituíram para mim o ponto culminante da minha longa carreira dedicada ao serviço público. Sessenta e dois anos, desde 1964, data em que ingressei na carreira diplomática.
Tive o privilégio de representar o nosso país em importantes postos, negociações internacionais e missões diplomáticas em períodos de especial relevância para Portugal e para o Mundo. Foram experiências intensas e gratificantes.
Ter merecido depois a confiança de dois Presidentes da República para as minhas presentes funções constituiu para mim uma enorme honra e um desafio, ao qual me dediquei de alma e coração.
Servir os Açores e Portugal foi o meu objetivo maior: reforçar a autonomia da Região e preservar a coesão nacional e a unidade dos Estado Português dentro do respeito pela Constituição da República Portuguesa. E servir de ponte entre a Região e a República sempre que solicitado para o fazer ou que disso resultasse algum benefício para a Região.
Senhor Presidente,
Senhores Deputados,
Os tempos tumultuosos em que hoje vivemos são tempos muito difíceis e imprevisíveis, cheios de incertezas, que nos forçam a ter de contar sobretudo com nós próprios e a manter a coesão social e a força moral dos nossos valores.
Precisamos mais do que nunca de fortalecer as instituições democráticas e a nossa capacidade económica, coletiva e individual.
Temos de juntar os nossos esforços e continuar unidos e solidários, valorizando-nos uns aos outros e reforçando-nos mutuamente.
Em primeiro lugar, através da participação cívica dos Açorianos na vida democrática da Região com o seu voto, exercendo as suas escolhas e legitimando os seus representantes ou com o seu envolvimento ativo na política regional, exprimindo as suas opiniões e pontos de vista, enquadrados ou não nos partidos políticos, que desempenham um papel primordial no bom funcionamento da democracia.
São os partidos, que em representação dos cidadãos, asseguram o debate político e o pluralismo próprios das sociedades democráticas.
São eles que, não havendo maiorias absolutas, têm a responsabilidade e a obrigação de facilitar e construir as soluções governativas suscetíveis de ser viabilizadas e que assegurem a desejável estabilidade, através de coligações, acordos de incidência parlamentar ou entendimentos pontuais baseados em compromissos negociados em diálogo construtivo.
E, permita-me, Senhor Presidente, que destaque a sua ação na liderança do mais importante órgão de poder regional, com o seu espírito dialogante, construtivo, aberto ao compromisso e favorável a consensos.
Em segundo lugar, mantendo um bom entendimento e uma boa colaboração entre os órgãos da Região e as instituições da República, dentro dos princípios da unidade nacional e da solidariedade entre todos os portugueses, sem prejuízo de um espírito e de uma atitude de exigência e responsabilidade, em defesa dos interesses da Região e do regime autonómico.
Finalmente, no âmbito da União Europeia, para cuja unidade, aprofundamento e independência estratégica todos devemos dar o nosso contributo, tão importante no caso dos Açores, nomeadamente no campo geopolítico, da segurança internacional e da proteção ambiental.
É nesta conjugação que a Região encontrará a força e o ânimo para se desenvolver e construir uma sociedade mais justa e próspera.
Os Açores comemoram este ano os 50 anos da sua autonomia. E que longo caminho já percorreram! Mas o sucesso do passado não deve fazer abrandar as diligências para um reforço ainda necessário em sectores tão importantes como o mar e as finanças regionais.
Ponta Delgada é este ano a Capital Portuguesa da Cultura e, estou certo, que vai ser um palco magnifico para a afirmação da identidade açoriana e da riqueza do seu património e do seu passado histórico e para a projeção do seu futuro.
Senhor Presidente da Assembleia Legislativa, desejo-lhe as maiores felicidades pessoais para si e para a sua família e o que o futuro lhe reserve os maiores sucessos na sua ação parlamentar, para bem dos açorianos.
Muito obrigado mais uma vez por todas as suas atenções, pela consideração que sempre me dedicou e à minha mulher, pela sua amizade e pelo tão gentil convite para este almoço.
Os nossos agradecimentos, também à sua mulher, Senhora Dona Nilza, pela sua preciosa ajuda nas diversas edições do Bazar Internacional do Corpo Diplomático, fazendo sempre da representação dos Açores um grande êxito
Os meus votos também para todos os Senhores Deputados e suas famílias e para que os Açores continuem a ser uma terra maravilhosa, que levarei no meu coração e da qual manterei uma recordação indelével.
Horta, 16 de março de 2026
Pedro Catarino