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Livro de José de Almeida Mello

BELÉM

MEMÓRIAS E PERCURSOS EM REDOR DE UMA CASA

SÉCULOS XVII-XXI

 

UM PEQUENO TESOURO ARQUITETÓNICO

Desafiei, há já algum tempo, o Dr. José de Almeida Mello, a poder elaborar um estudo sobre o Convento de Belém, propriedade do Estado português e que acolhe presentemente o Gabinete do Representante da República para a Região Autónoma dos Açores.

Pretendi com esse desafio dar a conhecer mais um edifício existente na ilha de São Miguel, com um passado desconhecido por muitos e que, estou certo, muito irá contribuir para o enriquecimento do panorama histórico-cultural da Região Autónoma dos Açores no seu todo, e da ilha de São Miguel e da cidade de Ponta Delgada, em particular.

Vejo com satisfação que o Dr. Almeida Mello, soube interpretar na integra e até ultrapassar a ideia que lhe transmiti e a razão do desafio em tempos lançado.

Quem folhear esta obra ficará a conhecer um pequeno tesouro arquitetónico de Ponta Delgada, que passou por várias vicissitudes e por várias utilizações e que em boa hora o Estado adquiriu.

Pretendi também ser intérprete e corporizar o dever expresso na Constituição da República Portuguesa de que todos têm direito à fruição e criação cultural, bem como o dever de preservar, defender e valorizar o património cultural. Esta é também uma obrigação do Estado, mas também dos órgãos de governo próprio da Região, assim como da própria sociedade civil e dos cidadãos.

Como responsável político e representante do Estado na Região Autónoma dos Açores, não me posso de forma alguma alhear de uma das tarefas fundamentais do Estado – a proteção e valorização do património cultural do povo português. Entendo, no entanto, como cidadão, e porque não advogo o estatismo ou estado centrismo, que a preservação, valorização e defesa do património é uma obrigação de todos.

O património cultural assume importância vital na preservação da memória e da identidade dos povos, sendo através dele que se podem identificar os costumes, a organização política, a sociedade, a forma de viver das gerações que nos antecederam.

Mantê-lo, será uma forma de agradecimento e homenagem aos nossos antepassados e uma obrigação que temos para com as gerações vindouras.

Em meu nome pessoal e na qualidade de Representante da República nos Açores, quero agradecer ao autor desta valiosa obra, o trabalho notável que nos deixa, manifestando-lhe o apreço do Gabinete pelo trabalho que realizou.

 

Janeiro de 2021

Pedro Catarino

Representante da República para a Região Autónoma dos Açores